Sábado, 17 de Julho de 2010

FRANQUIA / FILATELIA



ARPHILA – PARIS 75

Como é do conhecimento geral teve lugar em Paris, de 6 a 16 de Junho, a já agora famosa Exposição Filatélica Internacional ARPHILA – PARIS 75, nos magníficos locais do Grand Palais e das Galerias Nationales, em pleno centro da cidade-luz.
Deixando a outros mais competentes que nós a análise do que foi esse extraordinário prélio, o primeiro organizado com base na concepção artística do selo e na arte específica de filatelia, que tanta repercussão teve nos meios filatélicos e artísticos do mundo inteiro, vamos limitar as nossas considerações à Maximafilia, que pela primeira vez foi aceite oficialmente como Classe independente numa Exposição de Filatelia Internacional com o seu júri próprio de três especialistas da modalidade.
Por falta de espaço no local que já lhe atribuído, só foi possível apresentar 91 quadros, repartidos por 11 coleccionadores, franceses, um austríaco, um grego, um holandês, um italiano, um português e um romeno. O júri atribuiu medalhas a todos os participantes, tendo a participação portuguesa sido distinguida com a única medalha de prata dourada posta à sua disposição, vindo a seguir 7 com medalhas de prata, 5 de bronze prateado e 4 de bronze. A participação portuguesa contava de 5 quadros com uma selecção de postais-máximos de sítios e monumentos dos Estados Unidos da América do Norte, estado por estado.
Os dia 14 e 15 foram inteiramente consagrados à discussão do Estatuto da Maximafilia, iniciada em Bucareste em Outubro do ano passado, durante a Exposição Europeia de Maximafilia EUROUMAX - 74 de forma a ser sempre presente ao Congresso da FIP do próximo ano em Filadélfia, conforme foi decidido no recente Congresso de Madrid.
Num próximo número daremos conta dos resultados aprovados pelos delegados presentes de 10 países europeus.
No final do banquete de encerramento o delegado de Portugal pronunciou uma palestra sobre postais mázimos, de que damos a seguir a tradução portuguesa:

Minhas senhoras,
Meus senhores,
Meus amigos.

Na sequência da para mim muito agradável tradição de lhes tomar alguns instantes no decurso destas maravilhosa ágapes maximalistas, sempre tão simpáticas, vou falar-lhes hoje de um aspecto da regra de “concordância de motivos” por vezes tão difícil e mesmo impossível de observar dentro das convenções.
Este problema não se punha aos pioneiros da maximafilia que limitavam as suas realizações., salvo raros casos, unicamente aos postais ilustrados concordantes, à venda nas lojas.
Foi depois de 1945, que a expansão da nossa especialidade levou alguns amadores e principalmente os grupos de coleccionadores que pouco a pouco de formavam, a procurar documentos que lhes permitissem editar postais mais ou menos concordantes com o selo, chegando até a copiar este, o que era muito grave. Conservo por curiosidade alguns postais deste último que constituem um descrédito para a nossa especialidade e que devem e que devem ser excluídos de qualquer colecção de verdadeiros postai máximos como poderão verificar pelos exemplares que submeto à vossa apreciação.
Não quero alongar-me num assunto tão vasto quanto interessante e vou limitar asa minhas considerações a expor a forma com resolvi um problema assaz difícil que um dia se pôs à minha experiência de velho realizador.
Em 1953 os Correios Portugueses emitiram dois selos comemorativos do 14º. Centenário da chegada em 550 (frente do Porto) de S. Martinho de Dume, vindo da Palestina com o fim de contribuir para a evangelização dos suevos no N. O. Da Península Ibérica. Ligando este acontecimento no tempo à história de França direi que S. Martinho de Dume foi contemporâneo de S. Gregório, o famoso bispo de Tours, cujo nascimento foi também consagrado por um selo em 1939. Devo acrescentar que o nosso S. Martinho é oriundo da Panópia (a Hungria actual) talqualmente o vosso S. Martinho de Tours que dois séculos antes se celebrizara pela sua caridade ao partilhar a capa com um pobre e que o seu país natal, depois da Bélgica e da França, também consagrou filatelicamente com um magnífico bloco em 1972.

Ignorando tudo do nosso S. Martinho de quem os manuais escolares não falam a despeito de várias obras de importância que nos legou, comecei naturalmente por consultar a Enciclopédia Portuguesa e Brasileira e o Grande Larousse, onde colhi alguns dados salientes da sua biografia. Da Universidade Católica do Arcebispo de Braga (onde S. Martinho foi Arcebispo) recebi um excelente ópusculo com imensos pormenores sobre a sua vida. Infelizmente nada encontre sobre encontrei sobre a iconografia do Santo, tendo o selo, aliás muito apreciado pelo entendidos, sido inspirado em velhos desenhos de personagens mais ou menos da época. Como fazer então para conseguir um documento válido.
As obras a que me referi há pouco informam que S. Martinho havia fundado um mosteiro em Dume. Próximo de Braga, mais tarde elevado ao episcopado de que de que S. Martinho foi o primeiro bispo. Escrevi então ao pároco da actual igreja desta aldeia, de que o Santo é orago, a fim de obter uma fotografia da imagem do santo colocada por cima do altar mor. Após algumas peripécias, que me abstenho de descrever, recebi essa fotografia, com a qual fiz uma colecção de postais e os correspondentes máximos.
Para a obliteração escolhi o carimbo especial ilustrado de primeiro dia do Porto, preferido pólos coleccionadores, se bem que as obliterações ilustradas de Dume e de Braga fossem igualmente boas.
Realizei assim uma peça modesta sim, mas respondo inteiramente aos regulamentos da época, como poderão avaliar pelos exemplares que tenho muito prazer em oferecer aos coleccionadores presentes que ainda a não possuem. Esgotada assim a minha existência, a sua valorização não se fará esperar dado o seu interesse para os especialistas das temáticas que esse postal enquadra.


 FRANQUIA NUMERO 8 ONDE SAÍU O EXCELENTE ARTIGO.

Segunda-feira, 19 de Abril de 2010

FRANQUIA / MAXIMAFILIA

FILATELIA – MARCOFILIA – MAXIMAFILIA

DUAS SÉRIES PARALELAS: PORTUGAL – ROMÉNIA

Quase ao mesmo tempo (de 1972 a 1974) foram emitidas nestes Países duas seres de selos abrangendo um grade número de taxas, mais ou menos necessárias para a franquia de correspondências, que os catálogos designam por “sérias base” ou “séries correntes”. Estas duas séries apresentam analogias muito interessantes que vamos analisar sob o triplo aspecto dos selos, dos carimbos e dos postais máximos.

A FILATELIA

1.1. Ao passo que Portugal se contentou com 20 selos, quantidade, aliás, muito respeitável, a Roménia elevou a sua série a 37 valores para correio normal e 1 para correio aéreo, quase o dobro da primeira, o que constitui um verdadeiro recorde para uma série deste tipo.
1.2. Em contrapartida o valor facial dos selos portugueses é de esc. 329$45, a série romena é de lei 186.90, bastante superior aquele, a que correspondem as médias por selo por cerca de 11$00 a 5$00 respectivamente, considerando o valor real do leu equivalente ao escudo. A razão principal deste grande desnível reside no facto de a série portuguesa incluir um selo de 100 escudos (cabeçalho), cujo aparecimento suscitou uma avalanche de protestos dos filatelistas portugueses que consideram este valor excessivo e desnecessário apesar da justificação dos serviços responsáveis dos CTT. A taxa mais elevada de correio normal é de lei 16.20 e do selo de correio aéreo de lei 14.60, ambos muito necessários para franquia de correspondência.

1.3. Os selos portugueses foram emitidos por grupos de 4 selos, os três primeiros 1.3.72, 6.12.72 e 5.9.73 e de 8 o último em 20/8/74. Os romenos foram emitidos por grupos de 10 selos, os três primeiros, em 1.5.72. 2º.12.t2 e 15.12.73 o último, em 28.1.74, estes representando barcos.
1.4. Tanto na emissão portuguesa, como na romena, foram adoptadas duas dimensões designadas nos catálogos por “pequeno formato” e “grande formato”. Essas dimensões nos selos portugueses são de 26 X 21 mm (16 selos) e 35 X 25 mm (os 4 últimos selos) e nos romenos de 28 X21 mm (32 selos) e 33 X 24 mm (os últimos 5 selo e o de correio aéreo. É curiosa a coincidência dos primeiros selos de grande formato de cada uma das séries de 10$00 e 10 lei. Todos os selos portugueses são de formato são de formato horizontal, quando certos motivos, como a nave central da igreja do Mosteiro de Alcobaça, Torre dos Clérigos e outros seriam melhor apresentados verticalmente em selos tão pequenos, com a agravante de nalguns dele não ter sido utilizado todo o espaço disponível.
Nos romenos 24 são horizontais + 13 verticais, donde resulta um melhor desenvolvimento dos motivos e um completo aproveitamento dos espaços.
1.5. Os selos romenos de uma só cor, ao passo que os portugueses têm pelo menos duas cores. Destes os quatro últimos são multicores e todos eles mostram o desenho e a impressão mais cuidados. Quer isto dizer que a série portuguesa é mais vistosa, sendo de lamentar que pelo menos os seis selos romenos de grande formato não tivesse sido impressos em várias cores.
1.6. Em ambas as séries figuram selos com motivos já reproduzidos anteriormente. É caso dos selos de 2$50, 5$00, e 7$50 da série portuguesa e dos 1.00, 1.20, 1.55, 1.75, 3.45, 6.20 e 8.45 da série romena.
Alguns deles reproduzidos vária vezes. Não se compreende esta repetição porquanto em ambos os Países há muitos outros monumentos e paisagens igualmente dignos de serem consagrados filatelicamente.

2. MARCOFILA

2.1. Contrariamente ao que acontece com as séries comemorativas, para as quais são sempre criados carimbos comemorativos especiais do primeiro, ilustrados ou não, nas cidades concordantes esta série romena não mereceu as mesmas honras no que respeita à província. Só para os selos de 3.50, 8.45, 11.90 e 12.75, que representam monumentos de Bucareste, se utilizou um carimbo especial de data variável, cognominado “da trombeta” devido ao desenho em baixo, aliás nada apreciado pelos coleccionadores por ter sido utilizado com muita frequência na série base precedente de 1964 a 1967.

2.2. Já o mesmo, porém, não acontece com a série portuguesa, para a qual foi criado um carimbo especial uniforme do primeiro dia de emissão, infelizmente limitado às cidades de Lisboa, Porto, Coimbra e Funchal, o que, aliás, acontece com todas as emissões de há anos a esta parte, quando tal carimbo deveria ser extensivo a todas s localidades representadas nos selos, até pela homenagem que a elas assim se prestava. Em tais circunstâncias só foi possível utilizar esse carimbo em três postais máximos (regras de concordância de lugar), dado que não houve qualquer selo representativo da cidade do Funchal, o que é de lamentar.
2.3. Por curiosidade e à margem do assunto de que estamos a tratar, citamos o facto pouco conhecido de um panorama desta última cidade e seu posto figurar no selo alemão 6p+4p da série “Socorro de Inverno” emitida em 1937. O caminho, infelizmente pouco legível, foi aplicado a bordo do navio da organização operária nazista “Força pela Alegria2 WILHELM GUSSLOFF, que se vê no postal, fundeado na Baia do Funchal em 20 de Abril de 1938.
2.4. Já por várias vezes nos temos insurgido contra o facto de não serem criados carimbos especiais de primeiro dia para todas as localidades a que a que os selos respeitam, tanto para paisagens e monumentos, como para personagens, tal como acontece em muitos outros Países. Oxalá os nossos protesto sejam finalmente ouvidos por quem de direito.

3.1. Considerando o facto na sua totalidade e a romena em grande parte, representam paisagens e monumentos dos dois Países, logo os maximafilistas se apresentam a procurar no comércio no comércio postais ilustrados concordantes com os motivos dos selos, com os resultados que passamos a expor:
3.2. Da série portuguesa há várias edições de excelentes postais coloridos para 18 selos, não tendo sido encontrados até agora quaisquer postais da Ponte Romana de Ponte Lima (selo de $10) e do Dólmen de Carrazeda (selo de 4$50). Na nossa velha colecção de postais ilustrados descobrimos dois com estes monumentos que pelo se interesse aqui se reproduzem.
3.3. Na série romena há 30 selo com paisagens, monumentos e complexos industriais e 8 com barcos de diferentes tipos. Destes só recebemos até agora dois postais máximos com os selos 1.55 e 1.75., não se conhecendo postais para os restantes seis selos. Das paisagens e monumentos temos tudo em excelentes postais coloridos, sendo, porém, raros os deste tipo com os selos de 6.80 e 13.30. Fazemos votos para que sejam editados os postais que faltam para se completar esta bela série.

REVISTA FRANQUIA Nº.7 ONDE SAÍU O PRESENTE ARTIGO

MAQUETE DA CAPA DO MEU PRIMEIRO LIVRO, CAFÉ LISBOA
em processo editorial

Postado por Daniel Costa

Sábado, 2 de Janeiro de 2010

MAXIMAFILIA

 



LUNDY



Os assinante do excelente “Jornal Filatélico”, que durante alguns anos se publicou em Lisboa sob a Direcção do seu fundador e proprietário, o nosso prezado amigo Alberto Armando Pereira, hão-de recordar-se que no seu número de Março de 1963 ele aconselhava o seu ”amigo Anastásio” a ir ao médico para que o curar da ideia absurda de transformar a ilha e castelo de Almourol num centro de turismo, com a faculdade de emitir selos privativos, a apor obrigatoriamente na correspondência que de lá saísse, para pagamento do seu transporte entre Almourol e Vila Nova da Barquinha na margem do Tejo (fig. 1).

Poucos serão os filatelistas que terão conhecimento da existência de uma outra ilha, que há muitos anos, precisamente em 1 de Novembro de 1929, foi realizada a ideia do ”amigo Anastásio”. Trata-se da ilha de Lundy, que se situa à entrada do canal de Bristol, a cerca de vinte milhas da costa de Devonshire, a SSO da Inglaterra.
Segundo a Enciclopédia Britânica o seu nome, “ilha dos mergulhões”, foi-lhe dado pelos Vikings (de “lunde”, megulhão e “ey”, ilha” por nela pulularem estas aves, assim como gaivotas, corvos marinhos, guileminos e outras. Também há cabras selvagens e alguns póneis que quase o são.



Desenvolvendo-se verticalmente na direcção NNW (fig. 2), esta ilha tem cerca de 16 km de comprimento e 3 km na sua maior largura e a sua superfície é e pouco mais de 4 km 2. O ponto mais alto da ilha está 312 m acima do nível do mar e a sua população era em 1963 de 40 pessoas, incluindo os faroleiros. As suas costas, especialmente a ocidental, estão rodeadas de penhascos de granizo, só no extremo sudoeste existe o único porto da ilha numa pequena enseada.
A ilha serviu originariamente de base a piratas contrabandistas, tendo a coroa inglesa dela tomado posse em 1150. O seu castelo (fig. 3) foi erigido de 1170 a 1200 por William de Marisco (não haverá aqui ascendência lusíada?), cuja família governou a ilha periodicamente até 1327. O parlamento vendeu-a em 1647 a Lorde Saye e Sele. A igreja foi construída em 1896 pela família Heaven e em 1925 foi a ilha adquirida pelo falecido Martin Cole Harman, continuando na posse desta família.
Pelas cartas régias outorgadas pelos soberanos britânicos foram concedidos aos seus proprietários, privilégios de vária ordem tais como o direito de recusa de acostagem, a isenção de impostos e taxas, a fiscalização da pesca, a cunhagem de moeda e, modernamente, a emissão de selo. Tratando-se de selos privativos, é claro que os catálogos universais não os mencionam, nem mesmo o inglês Stanley Gibbons.
Estes selos são expressos na própria unidade monetária da ilha, o “puffin” (mergulhão), equivalente ao “dinheiro” inglês e são obrigatoriamente utilizados na franquia da correspondência que um barco ou um pequeno avião transportam para transportam para Brauton, Bideford ou Ilfracombe na costa inglesa. Simplesmente como Lundy não faz parte da U.P. U., toda a correspondência deve levar também um selo inglês da respectiva taxa para não ser multada à sua entrada na Inglaterra.



O regulamento postal interioriza mesmo que os dois selos não devem ser apostos no mesmo lado, ao passo que o regulamento inglês preceitua que o selo deve ser colado ou o carimbo de porte pago no lado reservado ao endereço (fig. 4 e 5), pelo que, tratando-se de postais ilustrados, tem o selo de Lundy que ser necessariamente aposto do lado da ilustração.
Este facto e a circunstância de os primeiros selos representarem um mergulhão, possibilitou a realização de postais máximos, cujo aparecimento data de 1930 (fig.), poucos meses após a emissão destes selos. Não nos vamos deter na numeração pormenorizada de todos eles (cerca de 200 ate hoje), nem na análise fastidiosa dos muitos carimbos com que têm sido obliterados, porque isso nos levaria longe demais.
A selecção de postais máximos de Lundy com variantes de postais das aves e de carimbos. É de cerca de 40 unidades constituindo, o seu conjunto uma curiosidade filatélica interessante sob triplo ponto de vista da originalidade, da raridade e do prazer que proporciona o seu belo aspecto.


(os pormenores filatélicos acima foram extraídos do artigo sobre Lundy publicado no Boletim da Sociedade “Les Máximafiles Français” pelo Cor. G. de la Ferté).


Da revista FRANQUIA número 6 de Maio de 1975


Editada por Daniel Costa



Terça-feira, 22 de Dezembro de 2009

FRANQUIA



Árvore de Natal 2009 - Avenida do Uruguai, BENFICA - LISBOA





CONCORDÂNCIA DE TEMPO



Para que haja concordância de tempo é necessário que a obliteração seja da época, isto é:


a) Dentro do período de circulação do selo (fig. 1)
b) De preferência do primeiro dia (fig. 2))
c) Ou, então, do último (fig. 3)



Esta regra de concordância de tempo, que até 1930 se observava com todo o rigor, tem suscitado nos últimos anos polémicas entre os maximafilistas de vários países, a tal ponto que ela constituiu o principal assunto de discussão no Simpósio celebrado em Bucareste por ocasião da II Exposição Europeia de Maximafilia “EUROMAX 74” em Outubro do ano passado.
Neste Simpósio, em que tomaram parte delegados de 12 países europeus, entre os quais o signatário, procedeu-se ao estabelecimento do “Estatuto da Maximafilia”, a apresentar no congresso FIP em Madrid no próximo mês de Abril, com vista à criação duma Classe independente da modalidade.
Ficou assente que o chamado “postal retardatário”, no qual a obliteração (mesmo que houvesse concordância com o motivo do selo) havia sido aposta após a sua retirada de circulação, não mais poderia ser admitido nas exposições (fig. 4).
Naqueles países – e muitos eles são – em que não há data limite para a circulação de selos, a concordância é “máxima” quando a obliteração tenha sido aposta no aniversário do acontecimento comemorado ou da personalidade homenageada, “muito boa” quando a obliteração é do primeiro dia, “suficiente” naos restantes casos.





Depois de o selo retirado da venda a concordância é “medíocre” e o postal poderá ser qualificado de “retardatário”, a não ser que a obliteração seja concordante com o motivo do selo.
Quando a “data da retirada” não é conhecida oficialmente admite-se que depois tem um período de 5 anos após a emissão do selo, a obliteração de um postal (salvo no caso de excepção acima) considera-se igualmente “medíocre”.
Não se deve esquecer que durante o período de circulação do selo tês prioridade as regras de concordância de lugar. Vem isto a propósito da tendência exagerada que se observa modernamente de dar preferência, sobre qualquer outra, à obliteração do primeiro dia, sobretudo desde que os Correios de um grande número de países puseram á disposição dos utentes carimbos especiais do primeiro dia de circulação dos selos, quantas vezes sem se atender ao acontecimento que eles comemoram.
Deve-se contrariar tal tendência, quando a concordância de lugar não é respeitada, porque daí provém realizações, não só sem qualquer interesse para a Maximafilia, mas até com graves inconvenientes para a sua expansão, como já se disse em artigo anterior.
No nosso país, infelizmente, os exemplos deste género são de todos os dias, desde a série do Centenário do Ministério das obras públicas até à actual série corrente, em que os carimbos especiais do primeiro dia não vão além de Lisboa, Porto, Coimbra e Funchal, quase sempre sem qualquer relação com o motivo do selo (fig. 5). É por isso de capital importância, antes de se aplicarem os carimbos de primeiro dia, verificar se as regras de concordância de lugar não são desrespeitadas.

In Revista FRANQUIA número 5 de Abril de 1975
Editada por Daniel Costa









Sábado, 12 de Dezembro de 2009

FRANQUIA / MAXIMAFILIA



CONCORDÂNCIA DE MOTIVOS



No anterior artigo tratei da concordância de lugar que condiciona a escolha da obliteração para as diferentes categorias de postais máximos.
Mais importante ainda é regra de concordância de motivos, a primeira das três que, em conjunto, dão à nossa peça filatélica aquela expressão de inegável beleza que a tem imposto à consideração de todos os filatelistas.



Trata-se, nem mais, nem menos, do que escolher o postal que há-de servir de suporte ao selo de que se parte para a realização do postal máximo.
No “Estatuto do Postal Máximo” adoptado pela Federação das Sociedades Filatélicas Francesas, indicam-se as características a que deve obedecer o postal ilustrado a utilizar.
“O seu motivo deve apresentar a melhor analogia possível como o do selo. De preferência deve ser “comercial “, isto é, estar à venda nas lojas, (fig. 1) ou, na sua falta, ser constituído por uma edição particular que reproduza um documento anterior à emissão do selo (fig. 2). Os postais que copiem o selo não são válidos”.
Não existindo qualquer documento, admite-se, como último recurso, a reprodução da maqueta que serviu para a confecção do selo, (fig. 3).

Ainda no caso de não haver postais ou documentos idênticos ao selo e não ser fácil nem viável a reprodução da maqueta do autor do selo, é também permitido recorrer-se à concordância de ideais, de tal forma que a ideia dominante expressa no selo se reflita com evidência no postal, (fig. 4).


Os postais editados por entidades oficiais que reproduzam o selo por fotografia ou desenho, ou sejam nele inspirados e tenham a sua propaganda, geralmente com fins beneficentes ou patrióticos, podem ser utilizados na realização de postai máximos, (fig. 5) devendo, no entanto, excluir-se todos os postais em idênticas circunstancias editados por pessoas singulares ou colectivas, se qualquer carácter oficial.

Se há casos em que o documento que se pretende é facilmente obtível e a sua reprodução se nos apresenta de uma forma simples e natural, outros há, porém, em que já não é assim, avolumando-se as dificuldades à medida que se procura uma solução óptima para o problema. Cita-se, como exemplo, o postal máximo de S. Martinho de Dume (fig. 6) em que, após buscas minuciosas e infrutíferas por livrarias e bibliotecas à procura de um documento idêntico ao selo, aliás apenas fruto da imaginação do artista – se optou pela reprodução de parte da imagem do Santo evangelizador existente na igreja matriz de Dume (Braga).

Nos casos em que o motivo do selo seja pouco apropriado à realização do postal máximo, quer por não se encontrar documento algum que possa ser utilizado, quer mesmo por não serem viáveis a reprodução da maqueta ou a solução de concordância de ideias, é preferível desistir-se pura e simplesmente da criação do postal máximo correspondente. É o caso, por ex. dos nossos selos comemorativos do 75º. Aniversário da U.P.U., do 25º. Aniversário da Revolução Nacional, do 1º. Centenário da U.I.T. e de tantos outros. É que qualquer tentativa de realização de postais máximos com tais selos não poderia deixar de ser um fracasso, tanto quanto se pode avaliar pela análise dos referidos selos.
Quando no mesmo selo se incluem motivos diferentes devem realizar-se, sempre que possível, tantos postais máximos quantos os motivos parciais do selo. O caso mais típico de tais selos é a série comemorativa do 1º. Aniversário da primeira travessia aérea do Atlântico Sul em que figuram: Os dois heróis da travessia, Gago Coutinho e Sacadura Cabral; os residentes de então de Portugal e do Brasil, Drs. António José de Almeida e Epitácio Pessoa; a Torre de Belém e o Pão de Açúcar; a caravela e o aeroplano. Nessa altura encontrava-se à venda uma grande variedade de postais ilustrados de quase todos esses motivos, separados ou em vários conjuntos, devido ao entusiasmo delirante que tão arrojado feito suscitou então entre as populações inteiras de Portugal e do Brasil.
Lembra-se a propósito, que segundo disposições internacionais o postal ilustrado, mesmo que não circule pelo correio, como é em geral, o caso do postal máximo, deve ter aproximadamente uma das seguintes dimensões rectangulares:
Clássico: 9 X 14 cm
Internacional: 10, 5 X 15 cm
Aparecem por vezes postais com dimensões intermédias ou desproporcionadas, produtos da fantasia ou da ignorância dalguns realizadores ou editores, mas o realizador consciencioso nuca se deve afastar daquelas dimensões.




In FRANQUIA número 4, de Março de 1975
Editor Daniel Costa



Segunda-feira, 7 de Dezembro de 2009

FRANQUIA


CONCORDÂNCIA DE LUGAR



Por várias vezes tenho respondido a pedidos de esclarecimento quanto à obliteração mais apropriada para se conseguir um postal máximo que obedeça à definição universalmente adoptada. Apesar disso verifico com pesar que ainda há realizadores que não têm em conta a regra de concordância de lugar, dando preferência aos carimbos especiais de localidades diferentes das dos motivos reproduzidos nos selos que de postais máximos só têm o nome.

É caso, por exemplo, dos postais máximos realizados com os últimos selos da série corrente, em que tanto o da misericórdia de Viana do Castelo (fig. 1) como o do Jardim do Paço em Castelo Branco (fig. 2) apareceram obliterados com o carimbo de Lisboa, quando daquelas cidades são válidos.
E porque o assunto tem efectivamente muita importância, permito-me repetir e ampliar aqui sobre o que sobre ele disse há anos no Clube de Fenianos do Porto por amável convite da Liga Portuguesa de Profilaxia Social.
Um bom postal máximo exige que a obliteração tenha relação directa com o motivo do selo. Vou pormenorizar, para cada caso, em que consiste essa relação directa indicando entre parêntesis, alguns postais máximos de acordo com o estabelecido.


1 – Para as personagens e por ordem de preferência devem obliterar-se os selos:
a) No lugar do nascimento (Stº. António de Lisboa) (fig. 3)
b) No lugar do falecimento (Guerra Junqueiro – Lisboa) (fig. 4)
c) Onde exerceram a sua actividade (Guilherme Gomes Fernandes – Porto) (fig.5)

Para os Chefes de Estado não há qualquer exigência especial, servindo portanto, a obliteração de qualquer localidade do País o de território sob a sua chefia e onde o selo tenha curso, dando-se, porém, preferência à capital desse País ou território.


2. Para lugares, trajos e costumes, monumentos e paisagens devem os selos ser obliterados nas localidades onde estiverem situados, ou na localidade mais próxima não havendo posto de correio no lugar representado no selo. É o caso do selo de 100$00 há meses emitido para desespero dos filatelistas, que representa as Lagoas de Sete Cidades, Ilha de S. Miguel, Açores, cuja obliteração deve ser de Ponta Delgada, (ver cabeçalho da rubrica).

O mesmo se pode dizer das estátuas das personagens representadas em efígie nos selos, como é o caso do que foi há pouco emitido em homenagem ao nosso Rei Soldado e 1º. Imperador do Brasil, com o qual realizados postais máximos com as estátuas erigidas à sua memória no Porto e em Lisboa, carimbados naturalmente nas respectivas cidades.
Dada a tendência, em muitos casos injustificada, como atrás se refere, de se preferirem os carimbos especiais do 1º. Dia, daqui se faz um apelo aos CTT para de futuro, em casos semelhantes e tal como se faz lá fora, emitirem carimbos das localidades onde se situam os motivos dos selos, eliminando-se assim as anomalias que hoje se verificam por essa preferência.
E, a propósito, não resisto à tentação de citar o caso típico passado com a linda série dos “Moinhos de Vento”, em que não foi possível utilizar um só dos clássicos e quase sempre impróprios carimbos especiais de Lisboa, Porto, Coimbra e Funchal, cuja uniformidade ninguém compreende.


3. Para as Obras de Arte devem os selos ser obliterados de preferência:
a) Na localidade onde estivar disposta (Anjo Românico – Coimbra) (fig. 6)
b) No lugar de nascimento do seu autor (N. Sa. Da Rocha – Vinci, Itália
c) na capital do País emissor do selo se o autor da obra de arte for de outra nacionalidade e aquela estiver exposta noutro País (Todos os selos do tema “Pintura” do Paraguai, emiratos Árabes, etc.).
d) em qualquer local com relação íntima com a obra representada ou com o seu autos (Leonardo da Vinci – Amboise, França).

4. Para navios, aviões e caminhos de ferrro, respectivamente:
a) Do porto de registo do navio ou de bordo
b) De qualquer aeroporto
c) De qualquer estação de caminho de ferro. Pressupõe-se, evidentemente, que haja portos de correio nos locais acima referidos. Não havendo, procura-se a obliteração mais apropriada.

5) Para bandeiras, armas, brasões e alegorias sem relação directa com qualquer localidade a obliteração da obliteração deve ser a capital do país.



6) Para “Flora” e “Fauna” qualquer obliteração serve, dando-se, porém, preferência a obliterações especiais relacionadas com o motivo do selo, como são, por ex., os carimbos ilustrados da Welwitschia: “Festas do Mar” – Moçamedes e o do elefante. Mostra Filatélica Temática Desportiva” – Benguela, isto para não citar senão selos de Angola.

7. Quando o selo represente um monumento ou uma personagem de um País, estrangeiro deve escolher-se, no País que emitiu o selo, o local que lhe seja mais apropriado (Rowland Hiil – Lisboa. Este caso tem suscitado larga controvérsia entre maximafilistas, uns, os ortodoxos, rejeitando pura e simplesmente os postais máximos realizados em tais condições, os realistas, aceitando-os sem reservas no desejo de aumentarem as suas colecções com peças de real valor artístico, como e o caso de inúmeros selos do Mónaco, S. Marino, Vaticano, N. Sª. de Fátima e tantos outros. Aqui como em qualquer outra modalidade, é o critério do coleccionador que deve prevalecer como índice da sua personalidade e bom gosto.
Julgo ter esclarecido convenientemente os interessados, mas, se ainda dúvidas surgirem sobre este problema ou outros da especialidade, terei muito prazer em responder a quaisquer perguntas que me façam nesse sentido.


In FRANQUIA número 3 de Março de 1974 – postado por Daniel Costa – editor

Terça-feira, 1 de Dezembro de 2009

FRANQUIA



ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE MAXIMAFILIA
NASCEU UMA REALIDADE

Estávamos em 1978 tinha nascido a APM, a causa próxima do seu nascimento foi simples.
O Eng. Furtado em conversa comigo e motivado com o êxito dos seus artigos, publicados na FRANQUIA, sob a minha direcção, fizera “demarches” para ser aceite um núcleo maximófilo em determinado Clube, queixava-se do tempo de espera por uma decisão final.
Eu – Senhor Engenheiro Furtado, porque não cria um Clube de Maximafilia, independente?
Engenheiro – senhor Costa, e quantos sócios acha que arranjaria para arrancarEu – contando nomes previsíveis: cerca de 25.
Engenheiro – de olhos arregalados:
Para dar início, seriam precisos 20.
No dia seguinte disse:
Estive a equacionar o que disse ontem, a Associação vai avançar!
Assim ainda nesse ano, de 28 de Junho a 2 de Julho de 1978, tinha lugar, em Lisboa, na Fundação Calouste Gulbenkian, a primeira Exposição independente de Maximafilia, com 27 participações.


Em 1979, à parte mas integrada na primeira TURIPEX, em Alvor, deu-se nos Paços do Concelho, em Portimão, a Exposição Bilateral de Maximafilia, Portugal – Roménia.

Bilateral: Portugal-Roménia 1979.
Nos Paços de Concelho, em Portimão, o Engº. Furtado (à direita) recebe o Embaixador da Roménia, que tem à esquerda (na ordem) os Jurados daquele país Drs. Apostol Turbatu e Valeriu Neaga
Foto Joaquim Cortes


TURIPEX 79: Charge do Engº. Furtado sob o olhar de Alice Martins, a bordo do "Algarvesol", Passeio Marítimo Portimão-Vila Moura, que fez parte do Programa Social
Foto de Joaquim Cortes

A criação da Associação Portuguesa da Maximafilia, teve início na FRANQUIA, mas deveu-se à exemplar tenacidade do Engº António dos Santos Furtado, que para promover a especialidade, pagou bastante do seu bolso.
Recordo as suas participações extra-concurso, na Internacional, Comemorativa do Centenário do Selo Português, em 1953 e a VIII EXPOSIÇÃO FILATÉLICA NACIONAL – LUANDA 70, esta com catálogo próprio da participação.
Não esquecer que o maior acervo de Postais máximos do mundo, era pertença do que terá sido o maior animador universal e um dos pioneiros da Maximafilia, que nasceu na mente dos cartófilos, como ela era, quando os postais eram selados na frente.
Começou com a inovação de se procurar adequar o selo ao postal para trocas.


Daniel Costa